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| Fonte da Imagem: Acervo Pessoal |
Em janeiro de 2025 comecei um ritual que pretendo repetir esse ano: escrevi uma carta para eu ler ao final do ano. Basicamente, era uma conversa com o ‘eu do futuro’, idealizando a “Ava” de Dezembro disciplinada que leria a carta ao final daquele ano com várias metas batidas.
Iludida ou Otimista?
A verdade é que teve sim algumas metas alcançadas. Porém, uma
das metas que eu julgava mais importante , que eu queria muito alcançar no último ano e que só dependia de mim, eu não
alcancei! Resultado: Terminei ano da mesma forma... Mas apesar de estar
decepcionada comigo mesma, eu escolhi olhar o copo meio cheio.
Comecei a olhar com
carinho para a Ava que passou esse último ano, que teve grandes aprendizados, dificuldades e uma significativa perda. Nossa família viveu um período muito difícil
esse ano, tivemos um familiar que adoeceu, foram meses... E que infelizmente se
foi. Acabou que desestabilizou de certa
forma a família e ainda estamos tentando lidar com essa grande perda.
Por isso, levando em consideração que a
vida que projetamos e a vida que acontece muitas vezes se desalinham, por que não
exercer a gratidão pelo que foi, pela vida que ainda é e que nos proporciona tempo e condições para contemplarmos e realizarmos tantas coisas?
O Diário de Amiel
E foi enquanto eu estava nessa trajetória interior de reflexão que eu me deparei com essa página do diário de Henri Amiel :
“Berlim, 16 de dezembro de 1847
Pobre diário íntimo! esperas há sete meses e em dezembro é
que se aplica por primeira vez uma resolução de maio. Ou antes, pobre de mim!
Não sou livre, porque não tenho a fôrça de executar a minha vontade. Acabo de
reler as minhas notas dêste ano. Tudo foi visto, previsto, disse a mim mesmo as
mais belas cousas, entrevi as mais sedutoras perspectivas, e, hoje, caí em mim,
esqueci. Não é inteligência que me falta, é caráter. Quando me dirijo ao meu
juiz interior, clara é a sua visão e êle fala com justeza. Eu me adivinho mas,
não me faço obedecer. E neste momento ainda, sinto que me causa prazer
descobrir as minhas faltas e os seus motivos, sem que por isso eu me torne mais
forte contra elas. Não sou livre. Quem deveria sê-lo mais do que eu? Nenhuma
coação exterior, gôzo de todo o meu tempo, senhor de oferecer-me um fim
qualquer. - Mas de mim próprio fujo, semanas, meses inteiros; cedo aos
caprichos do dia, sou o olhar de meus olhos.
Terrível pensamento: cada um faz o próprio destino.
Diziam os indus: o destino não é uma palavra, mas a
conseqüência das ações cometidas em outra vida. Excusado ir tão longe. Cada
vida faz o próprio destino. Por que és fraco? Porque dez mil vêzes cedeste.
Assim te tornaste o joguete das circustâncias; fôste tu que fizeste a sua
fôrça, não elas que fizeram a tua fraqueza. –“
| Fonte da Imagem: Foto retirada do livro |
apesar de acreditar que elas contribuem
muito para a procrastinação e a comparação,
a causa de resoluções de ano novo não cumpridas muitas vezes está em uma
falta de planejamento mais realista ou
por culpa da vida acontecendo simplesmente, dos imprevistos que podem ocorrer,como um desemprego,
um término, uma doença...
E essa culpa que nos corrói ao final de um ano por uma
meta não alcançada está intrínseca em todo ser humano, não é algo causado pelos novos tempos. Como pudemos ler no diário do Amiel que lá em 1847 já sofria com a
frustração de ter sido “fraco” e não ter tido “força para executar “ sua própria
vontade. E olha que ele ainda nem tinha redes sociais. Hahaha #joke
| Fonte da Imagem: Giphy |
Sua melhor amiga é Você
Como sabemos e podemos prever há tantos acontecimentos que podem nos boicotar para cooperar com nosso fracasso...
E é quando essa bad
de final do ano chega por metas não alcançadas que se torna inevitável nos culparmos pela falta de resultados, mas antes de enchermos nossa mente com um
monte de crenças limitantes de “eu nunca consigo”, “ eu sou um fracasso mesmo”,
que tal olharmos com um olhar critico
e refletirmos o porquê tal objetivo não
foi alcançado?!
Eu odeio me fazer de vítima da situação, mas uma das metas
que estipulei comigo mesma é de falar comigo
mesma como eu falaria com uma amiga, e eu nunca diria para uma amiga que
falhou em algo coisas do tipo: ” Você é um fracasso” , “Você
nunca faz o que promete” ou "Você nunca vai conseguir.". O que eu provavelmente falaria é:
“Vamos analisar com calma o trajeto, ver o que deu errado e
retraçar a rota “
Afinal há um novo ano
se iniciando!
Aliás, Feliz Ano Novo pessoal! Desejo um 2026 cheio de realizações e metas cumpridas para todos nós!
Com carinho,
Ava
Referências:
AMIEL, Henri-Frédéric. Diário Íntimo. Tradução de Mário Ferreira dos Santos. Porto Alegre: Globo, 1947

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