Jovens e Redes Sociais: o Papel dos Pais na Educação para o Pensamento Crítico
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| Fonte Imagem: Pexels |
De acordo com uma pesquisa do Pew Research Center com adolescentes de 13 a 17 anos nos EUA, os jovens têm usado as redes sociais como principal fonte de informação. O problema é que grande parte deles ainda não desenvolveu um senso crítico apurado para checar a veracidade dos fatos.
Vemos cada dia mais, as pessoas sendo polarizadas por notícias enviesadas sem de fato buscar sua veracidade em diversas fontes. Em outras palavras: nossos filhos estão sendo educados pelas timelines.
Essa realidade também se confirma no Brasil: segundo o Comitê Gestor da Internet em parceria com a UNESCO, 43% dos jovens entre 9 e 17 anos não sabem verificar se uma informação é verdadeira.
E é aqui que nós como educadores devemos nos preocupar, nos posicionar e orientar nossos filhos.
Os riscos da desinformação e da falta de pensamento crítico
De acordo com a Secretaria de Comunicação social brasileira 93%da população de 9 a 17 anos é usuária de internet no país, o que representa atualmente certa de 25 milhões de crianças e adolescentes.
Como mãe, preocupo-me o quanto os nossos jovens estão sendo informados e influenciados por essas plataformas de redes sociais sem desenvolverem maturidade e discernimento .
Muitos não têm a malícia de compreender que qualquer discurso vem carregado de intencionalidade nas entrelinhas do não dito. E por isso acabam se deixando levar, influenciar, concordar e tomar aquilo como verdade ou inspiração.
E eu não falo aqui apenas do viés político, vemos noticias duvidosas sobre saúde, ciências de um paper só compartilhadas como verdade absoluta, incitação a violência, delitos e brincadeiras perigosas sendo disseminadas todos os dias em massa na nossa timeline e consequentemente nas de nossos filhos também.
Outro dado alarmante da Secretaria de comunicação social, que mostra o tamanho da responsabilidade que nós como pais temos nas mãos é esse:
“52% dos usuários de 11 a 17 anos concordam que todos encontram as mesmas informações quando pesquisam coisas na Internet e, para 50% dos usuários investigados, o primeiro resultado da pesquisa na internet é sempre a melhor fonte de informação.”
Isso mostra que nossos jovens ainda não têm o entendimento sobre como funciona manipulação da informação.
O papel dos
pais na educação digital dos filhos
Como podemos ver os jovens tem usado as redes como um guia para diversas áreas da vida e tem confiado nesse meio como uma forma de se manter atualizado e informado, mas sem o acompanhamento de um adulto que instigue o seu pensar critico, os jovens vão se tornar cada dia mais vítimas de discursos prontos, seguidores fiéis incapazes de questionar o porquê pensam o que pensam, o porquê seguem o que seguem , o porquê acreditam no que acreditam, e o porquê defendem o que defendem, tudo em troca de pertencer a um clubinho digital. Analfabetos funcionais são uma realidade no contexto da língua materna, e é também uma realidade no contexto da “Afabetização digital”, apenas repetem o que vêem , sem entender a armadilha intrínseca em um discurso amplamente curtido. Enquanto os jovens seguem sem questionar, apenas um lado ganha, ganhando apoiadores raivosos de uma causa que no fundo nem eles entendem.
O ser humano que em sua utópica jornada em construir um homem critico, pautado na justiça e na liberdade de pensamentos que beneficiassem a sociedade como um todo, deu lugar a um povo composto de gladiadores digitais analfabetos que lutam por apenas um lado .
Na construção da sociedade há sempre um lado a escolher, embora não haja vergonha em ter um lado, mas há preocupação quando esse lado não é escolhido pelo indivíduo com plena consciência e clareza.
Muitos pais dizem que o comportamento dos filhos mudou “do nada”, alegam que os filhos desviaram-se de seus ensinamentos. Mas, na verdade, essas mudanças costumam ser fruto da ausência de acompanhamento e diálogo no consumo de conteúdos digitais.
Retirar o celular dos filhos pode parecer a solução mais fácil e rápida, mas apenas adiará as consequências da negligência. O verdadeiro desafio é formar filhos que sejam:
- Confiantes e conscientes de suas escolhas.
- Capazes de questionar o que leem e escutam.
- Protagonistas de suas próprias decisões.
- Pensadores críticos e não apenas “seguidores fiéis” de discursos prontos.
- Conversar diariamente sobre o que seus filhos consomem nas redes.
- Mostrar como verificar se uma notícia é confiável.
- Incentivar múltiplas fontes de informação.
- Ensinar que opiniões devem ser formadas com consciência, não por pressão de grupo.
- Dar exemplo: praticar também a checagem antes de compartilhar algo.
Presença e diálogo como antídoto
Não há problema em os jovens terem opiniões e “tomarem um lado”. O risco está em fazer isso sem consciência e sem reflexão. Mais do que controlar telas, precisamos formar cidadãos autônomos, críticos e conscientes. O antídoto contra a manipulação digital não é proibição, e sim educação, diálogo e presença real dos pais.
Sem filhos zumbis, por favor.
Conte-me aqui nos comentários: qual é o maior desafio na educação digital dos seus filhos?
Com carinho,
Ava
Fontes citadas:
<https://www.pewresearch.org/internet/2024/12/12/teens-social-media-and-technology-2024/>
< https://www.nic.br/noticia/na-midia/pesquisa-revela-que-43-dos-jovens-nao-sabem-checar-se-uma-informacao-da-internet-e-falsa/>
< https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/uso-de-telas-por-criancas-e-adolescentes/guia/recursos-extras/pesquisas-e-outros-numeros>

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